Prova de amor

  • Amor, olha, não fica braba ok?! Só quero fazer uma crítica construtiva…

  • Credo, falando assim parece que sou a pessoa mais intransigente do mundo, beleza, diz aí…

  • A meia, sabe, ela não está ficando muito limpa. Não sei se é a máquina ou se tem que lavar antes, só sei que elas estão encardidas ainda.

  • Ahhhh, sério?! Faz assim, está vendo aquele tanque ali? Aquele sabão? Então, você pega e esfrega a meia antes de lavar na máquina. Acho que funciona. =)

  • Tudo bem, eu lavo as meias. Mas você pode começar a passar as minhas cuecas? É que minha mãe sempre passou minhas cuecas e gosto delas assim.

  • Claro meu amor, quer café da manhã todo dia na cama também? Lógico! Por que não?!

Até me desconcentrei do que tava fazendo, o que era mesmo? Ainda não consigo acreditar, fico pensando naquela coisa boa de morar junto, companheirismo, responsabilidade, carinho e sexo todos os dias. 2 meses juntos e já me projeto com 5 anos de casada e começo a sentir um vazio. Meia encardida uma ova!

Se ainda ele aceitasse fazer algo por mim…

  • Amooor, amooor.

  • Peraí que tô jogando aqui.

Ahhh claro, esqueci de mencionar, o Playstation, sempre o tomador de atenção. A maior prova de amor que eu poderia ter dado a um homem, sim. Dei o console de Natal COM UM JOGUINHO, algumas coisa Gear Solid, não lembro. Só sei que tomava tempo e um pouco da minha fé na humanidade.

  • Queria saber se hoje consigo ganhar aquela massagem que você me prometeu…

  • Claro moranguinho, mais meia hora de jogo e já faço.

Acho que acabei pegando no sono, acordei decidida a mudar de vida. Dei aquele beijinho suave despertador de princesas, ele se mexeu um pouco, sussurrei baixinho em seu ouvido. “Amor, vou adotar um cachorro”.

Nunca mais vi meias encardidas naquela casa.

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O amor que nunca lhe dei

Eu sabia desde o primeiro segundo que o vi que o queria, fiz questão de contrariar essa vontade, mas eu sabia.

Ninguém quer outra pessoa nos primeiros segundos de trocas de olhares, não quando se tem mais de 15 anos. Precisa muito mais para se querer alguém.

E tive.

Precisa muito mais do que ser um bom moço, ter um papo interessante, compartilhar ideias e ideologias, precisa bem mais do que concordar em pontos primordiais e refutar assuntos importantes.

Nessa hora, eu só não o queria como já pensava em você com encantamento, mas resisti. Ninguém se entrega fácil para alguém que tem aparência afável e uma mente interessante. Exijo muito mais para me entregar.

E você tinha.

Exijo sempre mais do que uma companhia agradável, uma noite de risadas e aquela cerveja especial que aprendi a tomar. Belgas, as melhores cervejas!

Quero bem mais do que uma noite incrível, não poderia me entregar sem nem ao menos saber o quão macio era o toque das suas mãos.

Então dançamos e rimos daquele casal que mais se enrolava para um beijo do que eu me enrolo para encontrar uma roupa para sair. Engraçado que ao cruzar com o seu olhar fiquei com aquela sensação de cena congelada que demora uns 3 segundos mas parecem os segundos mais longos de uma vida, e mesmo assim eu não deveria me entregar ainda.

Quando falei que odeio listas e você veio com os 5 melhores filmes eu tive a certeza que era você. No fundo, amo as listas, todo mundo ama listas, mas não gosto de ficar refém delas, e fico, sempre listando as melhores e piores coisas de tudo que vejo e sinto por aí. Nessa altura eu estaria em seus braços mas não, ainda faltava um ato heróico, que advinha. Você fez!

Poxa! Atos heróicos amolecem qualquer coração, mas fui forte e resisti, resisti até a hora de partir. Resisti quando me fez um afago, quando deu um sorriso tão doce que assumiu o TOP1 da lista dos sorrisos mais doces. Resisti até na hora que me despedi.

  • Não vai!

Voltei, fiz mais um ritual de despedida e nunca mais o vi.

Aquele primeiro segundo foi substituído por todos os outros segundos que vieram depois. Os segundos que me enfeitiçaram. Fiquei com as listas, com as lembranças e com aquele amor guardado que nunca lhe dei.

Você abriria mão de sua essência para estar com quem ama?

Passei minha vida tentando me encontrar e me reconhecer nas outras pessoas, uma vida baseada em: eu te amo e vou tentar me adaptar.
A verdade é que no fim, o amor até releva as diferenças, faz parecer que tudo é aceitável até cruzar com os primeiros percalços, até se debruçar nos primeiros laços de dúvidas.
Amar é subjetivo, um sentimento que sofre diversas modificações de acordo com a cultura, a disposição, a percepção do que é sentir. O que pode ser amor para um, não passa de um gostar mais forte para o outro e assim por diante. Amor, muitas vezes, é superestimado.

Amor é o que você sente sem que ninguém mais esteja sentindo isso de volta e mesmo assim, busca-se a contrapartida.

Queremos ser aceitos, ainda mais se essa aceitação vier de quem amamos, é natural, é previsível, amamos e gostaríamos de ser correspondidos, na mesma proporção e intensidade que sentimos. C´est la vie!

Mas cá entre nós, será que amar vale mesmo isso tudo? Se a pessoa que você ama não aceita seu jeito de ser, sua maneira de pensar e tenta moldar o relacionamento de forma que você se anule para viver ao lado dela, vale a pena continuar lutando para estar junto com essa pessoa?

E a grande pergunta, você abriria mão da sua essência para estar com quem ama?

Ceder faz parte de qualquer relacionamento, estar com alguém só porque ela me faz suspirar já não cabe mais no meu bolso, preciso de bem mais do que amar alguém para estar junto, preciso ser aceita e preciso que o amor que exista seja forte o suficiente para superar as diferenças.

Já abri mão demais de quem eu realmente sou para ouvir eu te amo, já abri tanto que esqueci de me lembrar o quanto é importante me amar. Talvez essa seja a real definição para “antes só do que mal acompanhado”, quando alguém passa amar a sua essência e não o espelho do que ela imagina que você possa se tornar.

Eu não abro mão da minha essência e você?

 

 

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Que amor é esse?

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Tudo que vem rápido, vai rápido, dizia o meu pai. Mas algumas coisas por mais avassaladoras que sejam, demoram a passar.

Já não posso mais contar quantas vezes suspirei achando que a vida levaria alguma dor rápido, só por saber que ela dói.

Não sei se é por ter passado os últimos dias assistindo todas as comédias românticas disponíveis, se é por ter me arriscado mais uma vez.

Mas tenho acreditado bem menos nessa vertente chamada amor.

Nesse sorriso descompassado, nessa vontade imensa de ter o sentimento retribuído.

Que amor é esse que faz você se sentir mais perdido do que amado, que não passa nem pelo outono, quem dirá ser capaz de brindar o temido inverno?

Não é amor quando o medo recobre as ações, quando a ausência se torna presente e quando seu sorriso já não aparece mais.

Amor mesmo, desses que fazem a vida valer a pena está demorando a surgir, enquanto espero, acumulo expectativas, lembranças e uma súbita esperança de poder sentir.

E se for pela espera, tende a demorar a passar. Tende a nunca deixar de ser.

Quem nunca chegou em um momento da vida onde se deparou com uma situação onde tudo dava errado, que a única saída era não enxergar a saída?
Ou que se encontrou em um momento importante de tomar uma decisão?

A história desse vídeo conta exatamente essa fase, aquele segundo que separa momentos difíceis em uma experiência inesquecível.

Um minuto de coragem pode garantir uma vida de sucesso.

Era coragem que me faltava

Frio que te quero bem

Estava começando a esfriar, já não lembrava mais como era sentir o vento passar pela pele e arrepiar, de sentir os dedos e o nariz gelados, de se encolher e virar um bolo de gente só para ver se o corpo consegue se aquecer, ao menos parar de tremer.

Tinha esquecido dos desejos que o frio carrega, o aconchego, o abraço quente, as roupas elegantes, aquele jeito de dia gelado do inverno. Aquela vontade inesperada de ter momentos introspectivos, de sentir a vida passar.

Olhar para dentro é uma daquelas tarefas que ninguém gosta de fazer, todo mundo gosta de opinar e que no fim, mesmo sendo importante, só serve para colocar os eixos no lugar.

Vivia ali, prestes a tomar uma decisão importante, mais relevante que a última decisão que ocasionou a compra de uma bicicleta, um momento em que a única coisa que de fato eu precisava, era ter a cabeça no lugar.

Mas cabeça no lugar nunca foi meu forte. Forte mesmo sempre foi agir pelo impulso, pelo que o sentimento dizia e a cabeça entendia. É por isso que volta e meia tudo passava a mudar. Dia ou outro o rumo se perdia e o prumo indicava outra direção.

Deve ser o motivo que o vento frio do inverno faz tanta presença, devem ser as lembranças, o saudosismo ao relembrar as coisas boas da busca para se aquecer. As recordações que, a cada arrepio, faz lembrar o rosto, seus abraços, os dias aquecidos em você que vez ou outra passam pela cabeça, embalados pelo vento, pelo que ainda tem no peito, pelo que não posso e, mesmo que o vento quisesse, não consigo esquecer.

~Brunna Paese~

 

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