Apenas uma chance

Era apenas um sábado a noite sem dinheiro, mais um. Nesses dias o melhor a ser feito é procurar um bom filme, ajeitar o travesseiro no sofá e torcer para que tudo ocorra bem durante a exibição. (lembro de algumas vezes essa experiência não ter sido tão boa assim ).

O filme contava a história de Paul Potts, para quem não lembra, ou até mesmo não o conhece, Paul participou de um “show de calouros” na Inglaterra no ano de 2007. Naquela época, a internet ainda era um bebê e recordo-me que o vídeo do Paul circulou até por e-mail. Não tem como não se emocionar vendo sua primeira apresentação no Britain Got Talent, os jurados incrédulos, o discurso tímido e desencorajado de Paul, até que a música começa…

Devo ter visto esse vídeo umas dez vezes desde então, mas ontem, sem lembrar-me disto, escolhi o filme “Apenas uma chance” no Netflix, em resumo, um filme emocionante. Mesmo sabendo o final, conhecer a história de vida do Paul – contada sob o prisma de quem passou por inúmeras dificuldades antes de alcançar o sucesso – faz com que os olhos transbordem de lágrimas, ao menos foi assim comigo, naquele sábado sem muitas expectativas.

Sou uma apaixonada por programas que dão oportunidades a amadores, pessoas comuns, com sonhos, com histórias recheadas de superação. A vida, do jeitinho que ela é: várias situações e pessoas tentando persuadi-lo a parar de acreditar, enquanto alguns mantém a esperança, muitos desistem. É a teimosia, contando sempre com uma pitada de coragem que permite que nessas horas possamos ver um milagre.

Aquele brilho nos olhos, a vontade de não decepcionar, um sonho nas costas e um novo caminho pela frente. Acreditar no próprio talento e persistir com os sonhos é uma das maiores provas de amor que podemos nos dar.

Para quem ainda não viu essa história do Paul, inspire-se, vale a pena do início ao fim.

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A vida que pedi

Volta e meia me pego pensando na falta que me faz aquelas nossas conversas de madrugada sobre o futuro do país, sobre nossas inseguranças e aquele resumão completo da semana para não deixar nada passar em branco.

Sinto falta das nossas festas inesquecíveis e infindáveis, daquela sempre maravilhosa alegria de fazer o novo e de, sei lá, matar o tempo antes que ele nos matasse, como se fosse possível.

Bem sei que as pessoas vão e vem em nossas vidas e não há mal algum nisso, é sempre bom saber que mesmo que as coisas mudem, o sentimento fica. Ficam as lembranças, aquela saudade saudosista de um tempo bom que passou, mas a falta que você faz, essa nem sempre consigo suprir.

Tento me apegar a coisas que estão sendo boas hoje, as novas amizades que fiz depois que nos afastamos, as referências que ainda dou sobre você, porque você ainda é a minha referência mais viva, a permanência mais latente da minha memória. Você me ajudou a ser forte, a ser a pessoa que sou quando ninguém está olhando. Foi quem por diversas vezes não deixou meu brilho se apagar. De todas as lembranças que carrego comigo, as mais vivas são de quando você suportou minhas crises do meu lado, sem nem titubear.

Também acompanho sua vida, quilômetros de distância ou quilômetros de impedimentos não me afastaram de saber se você está bem e cada vez que vejo seu sorriso em uma foto, suas palavras sendo proferidas a alguém que não sou eu, penso que esta deve ser a pessoa mais feliz do mundo, como eu já fui um dia.

Não foi o tempo, não foi a distância, não foram outras pessoas entre eu e você, foi a vida que escolhemos e dessa implacável consciência não podemos fugir, apesar de tentarmos, são os caminhos que escolhemos que fazem companhia enquanto seguimos em frente.

Dias desses quando nos encontrarmos, quero me lembrar de dizer o quanto amo e o quanto você me faz falta, mesmo que isso não seja necessariamente dizer que seguiremos lado a lado, como éramos quando juramos nossa amizade eterna furando o dedo e esfregando o sangue em nossas mãos. Quando nos abraçávamos cantando músicas bregas, íamos a shows muito louco de rock’n’roll, quando riamos nas festas com aqueles sons nem tão roll assim e chorávamos nossas mágoas e brindávamos nossas conquistas.

Essa falta, essa maldita falta, é o que mais tenho orgulho de ter, porque tudo isso faz parte da minha vida e essa história só existe por causa de você.
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Ps.: Dedico esse textos a todos os meus amigos, amigas, melhores amigos e amigas que por uma escolha ou outra acabei conquistandopor aí.

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